«… dos velhos está tudo por dizer…» Envelhecimento e representações da velhice na obra de José Saramago

Autores

  • Luís Tarujo IELT - Universidade Nova de Lisboa

Palavras-chave:

Saramago, Literatura, Sociedade, Velhice, Morte

Resumo

A indiscutível pertinência dos estudos sobre a velhice na atualidade prende-se com o facto de, nas últimas décadas, a evolução sociodemográfica exigir que se promovam pesquisas mais aturadas relativas à chamada segunda metade da vida humana. O nosso modesto contributo para a problemática da velhice partirá da obra édita de Saramago, destacando os efeitos da passagem do tempo sobre o indivíduo, desde as manifestações físicas até às alterações decorrentes do estado psicológico que condicionam o comportamento daqueles que, diariamente, se olham ao espelho e facilmente se apercebem de que algo está a mudar. Acreditamos, deste modo, sermos capazes de, com rigor, traçar um retrato completo das manifestações da velhice filtradas pelo olhar sempre atento de Saramago. Ao analisarmos pormenorizadamente os textos saramaguianos, facilmente nos apercebemos de uma visão original do conceito de velhice: onde os outros veem tristeza e desânimo, o escritor vislumbra novas aprendizagens, projetos de vida, relacionamentos intensos e uma criatividade excecional. Cumpre-nos, por conseguinte, fazer prova de que o idoso deverá ser entendido como um indivíduo em desenvolvimento e esta evolução não tem de ser sempre negativa. Tudo se resume, afinal, a uma noção de perspetiva acerca do mundo e do que nele ocorre. Consequentemente, deparamos com indivíduos (reais ou ficcionais) que, afastados do mundo por diversos motivos, se sentem à deriva, acabando, assim, por antecipar a morte. No sentido inverso, não podemos deixar de assinalar muitas outras pessoas que não esmorecem e conseguem debelar o impacto negativo que o envelhecimento normalmente pressupõe.  Encontramos, deste modo, indivs de Saramago.s escola potenciar os conhecimentos adquiridos ao longo da vida, transmitindo-os, com uma sabedoria ue n e uma criíduos que continuam a sentir-se úteis, que conseguem potenciar os conhecimentos adquiridos ao longo da vida, transmitindo-os aos mais novos, com uma sabedoria ímpar, que não se aprende na escola. Neste sentido, parece-nos lícito afirmar que o retrato que do idoso é feito pelo escritor coincide com um indivíduo experiente, dotado de uma calma que advém do profundo conhecimento do mundo. Marcado fisicamente pela passagem do tempo, não exibe qualquer sinal de beleza que cative os outros. Porém, mesmo alquebrado pela doença, ou desamparado pela sociedade que o vê como um fardo, o idoso terá motivos para se orgulhar da vida que levou e do seu contributo para o desenvolvimento da sociedade e para a educação das gerações mais novas.

Biografia do Autor

Luís Tarujo, IELT - Universidade Nova de Lisboa

Doutor em Literaturas e Culturas Românicas, especialidade de Literatura Portuguesa (2013), pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Tem lecionado Português e Literatura Portuguesa no Ensino Secundário e, como Assistente Convidado da Escola Superior de Educação Jean Piaget, desde 1999, as disciplinas de Literatura Portuguesa, Língua e Literatura Portuguesa: Evolução e Didática da Língua Materna, Literatura Infantojuvenil e Expressão Poética e Evolução da Comunicação Linguística e Didática da Língua Materna. Tem participado em vários congressos, em Portugal e no estrangeiro, apresentando comunicações nas áreas do teatro de cordel, da Ekphrasis e da literatura infantojuvenil, temáticas sobre as quais tem publicado livros e artigos. É Investigador do IELT – Instituto de Estudos de Literatura e Tradição, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

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Publicado

2022-05-05