Educação Visual: Notas sobre Écfrase em Manual de Pintura e Caligrafia

Autores

  • Nuno Castro Universidade Aberta

Palavras-chave:

José Saramago, écfrase, autor-narrador, intermedialidade, autorreflexividade

Resumo

Neste trabalho, exploram-se alguns exemplos textualização ecfrástica que surgem em Manual de Pintura e Caligrafia, que dizem respeito à realização verbal de imagens com e sem referente extraliterário. Definiremos, a partir dessa exploração, a construção do enunciador saramaguiano — o autor-narrador definido por Miguel Real — como aquela entidade em que se manifesta através de uma posição discursiva e poética que depende, em igual medida, da arquitetura de visões pessoais como dos efeitos que exercem que sobre o enunciador os objetos estéticos que constituem o tecido do imaginário cultural em que o este se move e transforma. Esperamos, com isso, demonstrar que o agenciamento artístico depende do poder transformador do olhar e de uma concreta tomada de posição ideológico-existencial, assumida em consequência de um estado de alerta que se torna possível mediante a experiência estética. O significado desses contactos será sintetizado nos comentários meta-diegéticos que têm como antecedente os episódios que o protagonista caracteriza como autobiográficos. Nestes, destacar-se-á a preponderância da écfrase, o bordão narrativo que alegoriza o espaço de in-betweenness ocupado pelo peculiar narrador autorreflexivo criado por Saramago.

Biografia do Autor

Nuno Castro, Universidade Aberta

Finalista da Licenciatura em Humanidades — Minor em Estudos Portugueses, da Universidade Aberta. 1º Prémio (ex-aequo) na edição de 2021 do Prémio de Ensaio José Saramago, atribuído pela Catédra Internacional José Saramago da Universidade de Vigo com o ensaio que está na base do trabalho aqui apresentado. Os seus interesses são os Estudos Comparados, sobretudo pelas possbilidades de cruzamento de discursos e pensamentos.

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Publicado

2022-05-05